Alergias Mistas

Medicamentos: Compreende cerca de 2 a 5% das internações hospitalares. Podem acometer a pele em caso mais simples ou evoluir com edema, anafilaxia e, em alguns casos, com o comprometimento de órgãos e tecidos, o que acarretaria graves consequências para o indivíduo. 

  Há poucas drogas que podem ser identificadas por exames laboratoriais e também poucas por testes alérgicos, sendo necessário provas de provocação, onde o paciente corre riscos.   Desta forma, se acentua a importância da dedicação e habilidade do investigador. História clínica e exames minuciosos são de vital importância na avaliação diagnostica, sendo muitas vezes necessário a biopsia nas reações mais graves antes de iniciar o tratamento.   Uma vez feito o diagnóstico, o paciente, familiares e médicos da família devem ser comunicados e o paciente deve carregar consigo a orientação sobre quais são os medicamentos de risco para ele e quais são os substitutos seguros, como um cartão de alérgico.   Os desencadeantes mais comuns são os anti-inflamatórios, que são amplamente usados pela população e geram muita confusão, pois apesar de existirem vários grupos farmacológicos, eles apresentam as chamadas reações cruzadas e muitas vezes o paciente utiliza medicamentos com nomes diferentes, mas com o mesmo princípio ativo. Incluímos neste grupo a Dipirona, que apesar de ser proibida em muitos países, ainda é amplamente utilizada no Brasil, sendo a maior provocadora de reações, inclusive o choque anafilático seguido de óbito. Logo a seguir temos também os antibióticos. Em primeiro lugar as penicilinas. Cabe ao seu alergista uma orientação detalhada no caso de reação a medicamentos e grande atenção dos médicos de hospitais e pronto atendimento com os pacientes alérgicos a medicamentos.   Alimentar: Todos os alimentos são alergênicos, porém uns com maior ou menor poder de alergenicidade. Entre os maiores responsáveis pelas alergias alimentares estão o leite em primeiro lugar, seguido da clara do ovo, trigo, glúten, soja, amendoim, milho, peixe e crustáceos.   A alergia alimentar deve ser amplamente investigada a fim de não cometermos erros com dietas desnecessárias, que muitas vezes dificultam a vida dos pacientes. Sempre devemos ter acompanhamento paralelo e, no caso das alergias confirmadas, acompanhamento com nutricionista, a fim de repor os nutrientes que retiramos dos pacientes, pois o tratamento da alergia alimentar inclui a exclusão do alimento temporariamente. Com o leite, por exemplo, na grande maioria das vezes a dessensibilização ocorre de forma espontânea, com a exclusão por um período, que pode variar de 2 a 7 anos. Já a clara depende de uma exclusão em torno de 3 anos, mas isso é muito variável para cada paciente, que deve ser monitorado pelo seu alergista. No caso das crianças, além do nutricionista, é fundamental o acompanhamento em conjunto com o pediatra.   Até o momento, não existe vacina para tratamento de alergia alimentar. Existe a dessensibilização induzida, que deve ser realizada em centros, com equipe devidamente treinada, pois é comum ocorrer reações graves durante este procedimento, que é realizado em varia seções, por alguns meses.   A prevenção da alergia alimentar se faz com o aleitamento prolongado e com os cuidados na iniciação dos alimentos para a criança que tem antecedentes alérgicos.    Picadas de insetos: Temos dois tipos de reações a picadas de insetos. A primeira é a chamada estrófulo, que é provocada por picadas se insetos comuns, como pulga, pernilongo etc.   Devemos orientar medidas de proteção e, em casos especiais onde não há cura espontânea, o uso de dessensibilização, que pode ser via sublingual, a mais usada, ou em raros casos subcutânea.   Existe também a alergia a picada de himenópteros, como vespas, abelhas e formiga, onde a reação ocorre pelo veneno dos insetos. Neste caso, o tratamento é feito com imunoterapia injetável, por tempo prolongado. Quando o paciente apresentou anafilaxia o mesmo deve carregar sempre medicamentos de urgência (Epinerina auto injetável), que necessitam de prescrição diferenciada e infelizmente não dispomos no Brasil, dependendo da importação deste produto.   O diagnóstico é feito por meio de exames específicos de sangue e testes alérgicos subcutâneos e intradérmicos.   Latex: O latex é uma proteína da borracha, presente em diversos produtos, como brinquedos, balões de borracha, luvas, calcados, camisinhas e produtos hospitalares, onde uma grande exposição pode sensibilizar a pessoa, que passa a reagir com crises de urticaria, edema e até anafilaxia, após repetir o contato.   Muito presente em profissionais da área da saúde e em pacientes submetidos a cirurgias de repetição. Com a substituição do material utilizados em hospitais, os países europeus conseguiram diminuir muito este tipo de alergia, que ainda é muito prevalente no meio.   A pessoa alérgica ao látex pode apresentar reações que caracterizamos como reações cruzadas ao ingerir alimentos que contem látex, entre eles banana, abacaxi, mamão, mandioca, ameixa, batata, trigo, entre outros. Este paciente precisa ser diagnosticado e devidamente orientado para que possa ter uma vida normal sem corre riscos.   O tratamento consiste em retirar o contato com látex, mas existe uma medicação que este paciente deve carregar para o caso de um descuido.